Falar que a franquia “Harry Potter” vem ficando mais obscura após o terceiro longa, “O Prisioneiro de Azkaban”, chega a ser um clichê. De fato, os longas da série foram, fotograficamente, adquirindo um tom mais cinza com o passar do tempo. Porém, no recente “As Relíquias da Morte – Parte I” enfim a história amadurece e adquire a obscuridade anunciada nas fotografias anteriores.


O logotipo da Warner, já no início do filme, anuncia o que está por vir. No lugar da marca dourada e brilhante, vemos o símbolo do estúdio sujo e enferrujado. Ele mostra que a magia infantil dos primeiros filmes ficou para trás e apresenta o clima de perseguição e as muitas mortes que acontecerão no decorrer do filme.

Não há mais as travessuras na casa dos Dursley. Nem os momentos de alegria na fazenda dos Weasley. Ou a correria para pegar o trem para Hogwarts. Somente a desolação e a tristeza de bruxos e trouxas para fugir e salvar suas próprias vidas.

Como vimos em “O Enigma do Príncipe”, com a morte de Dumbledore (Michael Gambon), a Escola de Magia Hogwarts não é mais um lugar seguro. Lord Voldemort (Ralph Fiennes ) retornou do mundo das trevas e quer matar Harry Potter (Daniel Radcliffe). A Ordem da Fênix tenta a todo custo proteger o jovem. Durante um ataque dos Comensais da Morte, Harry, Hermione (Emma Watson ) e Ron Weasley (Rupert Grint) fogem e terão que partir sozinhos em busca das horcruxes, que são artefatos em que Voldemort dividiu e guardou a sua alma antes de morrer pela primeira vez.

Novamente dirigido por David Yates, o novo longa é um dos melhores da série. As cenas de ação estão mais empolgantes, a carga dramática dos personagens mais densa e as atuações do trio de protagonistas também melhoraram. Nas cenas de morte, o diretor brilhantemente sugere no lugar de mostrar montes de sangue e corpos em decomposição. Cuidado acertado, afinal o estúdio também quer uma classificação mais amena para o filme.

Merece destaque também a forma em que a tomada do poder do Ministério da Magia foi mostrada. Agora, os “sangue-ruins” ou mestiços (meio sangue bruxo e meio sangue trouxa) são perseguidos pelo governo dos bruxos. O preconceito é disseminado pela propaganda em panfletos e jornais que apóiam o ministério. As cenas fazem uma releitura do nazismo, fato histórico em que os judeus eram perseguidos e mortos em campos de concentração. A idéia terrível dos nazistas era divulgada em meios de comunicação de massa.

Outro acerto foi a divisão do livro em dois filmes. Dessa forma, quem não acompanhou a saga pelos escritos de J.K. Rowling pode compreender melhor alguns pontos que ficaram em hiato em “O Enigma do Príncipe” principalmente sobre as tais horcruxes. Já quem leu e sabe tudo sobre Harry Potter sempre quer mais tempo de tela para que o filme seja mais fiel ainda ao material original.

Apesar de tudo, o longa possui algumas falhas. O ritmo do filme é praticamente quebrado na metade da exibição, tornando-o lento, mas não desinteressante. Principalmente na bela animação do “Conto dos Três Irmãos” que revela finalmente o que são as tais relíquias da morte do título. A ação volta nos minutos finais em uma excelente batalha contra Bellatrix (Helena Bonham Carter), sem dúvidas uma das melhores personagens malvadas da franquia.

Além da quebra da velocidade, o roteiro ainda deixa algumas lacunas abertas. Não é explicado, por exemplo, porquê os jovens devem usar a horcrux em forma de colar que acaba afetando o humor dos personagens. Eles não poderiam carregá-lo na bolsa?

Ainda assim, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I” possui uma trama mais adulta que vai prender o público do início ao fim. A produção é um show a parte e os efeitos especiais são de tirar o fôlego. Mesmo com um tom mais obscuro, a magia ainda permanece junto com a mensagem de esperança. Nos resta aguardar com ansiedade a segunda e última parte das aventuras do bruxinho que virou gente grande diante de nossos olhos.

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Título Original: Harry Potter and The Deathly Hallows - Part 1
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radicliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Imelda Staunton
Duração: 146 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 19/11/2010
Nota:

O que aconteceria se James Bond virasse um aposentado? Seus instintos assassinos de agente secreto seriam ultrapassados pela ansiedade do chá das 17h? Ou o garanhão estaria dando em cima de velhinhas no baile de terceira idade? Pensando no que acontece com os agentes após a aposentadoria nasceu a idéia de “R.E.D. – Aposentados e Perigosos”.

Baseado na série em quadrinhos escrita por Warren Ellis, a charmosa e divertida adaptação para as telonas segue a historia do ex-agente da C.I.A. Frank Moses (Bruce Willis) que de repente vê sua tranquila vida de aposentado ser virada de cabeça para baixo. Ele se torna o alvo de um jovem agente (Karl Urban) que trabalha para a C.I.A.

Tentando entender porquê seus ex-patrões estão à sua caça, Moses alia-se a seus antigos amigos de campo e acaba descobrindo uma trama que envolve até o mais alto escalão do Governo estadunidense. E são justamente os coadjuvantes que dão credibilidade e charme à obra.

O diretor Robert Schwentke (Plano de Vôo) escolheu a dedo cada um dos membros da R.E.D. (sigla para Retired Extremely Dangerous ou Aposentados Extremamente Perigosos numa tradução literal). Morgan Freeman (Invictus) empresta seu talento e carisma para Joe Matheson, o braço direito de Moses. Já Brian Cox (X-Men 2) faz o galanteador russo Ivan Simanov. Mas o destaque do longa concentra-se em dois ases de ouro: John Malkovich e Helen Miller.

Em uma atuação hilária, Malkovich nos faz esquecer o papelão que aprontou em outra adaptação de HQ’s, “Jonah Hex – Caçador de Recompensas”. Ele interpreta Marvin Boggs, um agente aposentado totalmente paranóico que rende ótimos momentos de diversão.

Enquanto isso, a oscarizada lady Helen Miller (A Rainha) não desce do salto, mas empunha uma metralhadora automática e manda bala pra todos os lados. Chega a ser engraçado ver a versatilidade de uma atriz veterana que parece estar se divertindo interpretando uma assassina que gosta do que faz.

Tirando elenco e boas pitadas de humor, “R.E.D. – Aposentados e Perigosos” utiliza locações, clichês e bastante lugares comuns do gênero de ação. Mas quer saber? O filme é um excelente entretenimento.

Além do mais, o diretor foi bastante inteligente ao utilzar a história que mostra agentes da boa idade voltando à ativa e refoca os holofotes para alguns artistas que já estavam esquecidos do grande público. Ernest Borgnine, por exemplo, fez clássicos como “Os Doze Condenados” e “Meu Ódio Será Sua Herança” e está no longa como Henry, o Guardião do Arquivo. E Richard Dreyfuss, que perseguiu a fera sanguinária em “Tubarão”, volta como o pilantra Alexander Dunning.

“R.E.D. – Aposentados e Perigosos” reflete o comportamento de uma nova geração de velhos que demonstram uma vitalidade (e virilidade) mais ativa que muitos jovens por aí. A prova disso são os astros veteranos que estrelam e sustentam o longa de ação. Pelo visto, se James Bond estivesse aposentado continuaria rodeado de belas mulheres, carrões e cenários paradisíacos, mas sem os bandidos chatos para atrapalhar.

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Título Original: R.E.D.
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich, Helen Mirren, Karl Urban, Morgan Freeman, Brian Cox, Ernest Borgnine, Richard Dreyfuss
Duração: 111 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 12/11/2010
Nota:

Imagine um filme com a seguinte cena: um homem vem correndo, pula e bate a cabeça em um tijolo suspenso no ar. De dentro do objeto sai um cogumelo que o tal cara come e aumenta o seu tamanho. Os gamers já sabem que a cena é corriqueira em qualquer jogo do Super Mario, porém ficaria bem estranha em um filme. Adaptar games para as telonas é uma tarefa bem árdua sobretudo o fato de tentar incorporar pequenos detalhes que tornam os joguinhos eletrônicos tão divertidos. Mas um longa conseguiu tal feito! E olha que ele não é baseado em um game...

Scott Pilgrim Contra o Mundo” é mais uma adaptação de quadrinhos para os cinemas. Em um cenário Hollywoodiano infestado por esses produtos, o longa de Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto) consegue traduzir de forma brilhante os elementos de games que permeiam o material original criado por Bryan Lee O’Malley.

De cara, o filme começa com a logo e a música da Universal em 16bits, ou seja, como um jogo de Super Nintendo ou Mega Drive. Sensacional! Daí, vamos para a história que mostra a saga de Scott Pilgrim (Michael Cera), um jovem baixista da banda de garagem, que se apaixona por Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead).

Porém, ficar com a garota literalmente dos seus sonhos não será moleza. Pilgrim terá que derrotar sete ex-namorados malvados da moça, contar para a sua atual namorada que está afim de outra e vencer um concurso de bandas.

Cada luta contra um dos ex é um deleite visual! Ao iniciar o combate, temos a clássica tela de “VS” constante em 99,99% dos games de lutas, passamos pelos golpes especiais e culminando em um grande “K.O.” quando o oponente é vencido. Mas a cereja do bolo é que, após ser eliminado, os ex-namorados de Ramona viram moedas! Sim, igual aquele adventure que você não cansa de jogar!!

Mas não apenas os games de luta e adventures foram homenageados na obra. O duelo contra os gêmeos, por exemplo, lembra muito um encontro de Guitar Hero com Dj Hero. Fora que durante o filme vemos outras referências ao mundo dos jogos eletrônicos como a “Barra de Xixi” esvazeando quando Pilgrim vai banheiro ou o ícone de “Life” que dá ao personagem mais uma vida. Ah! E vale lembrar que o nome da banda de Pilgrim, Sex Bob-omb, é uma homenagem a um dos inimigos do Super Mario.

Além de parecer um enorme videogame em live action, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” faz muitas referências ao mundo Pop. Impossível não reconhecer os closes estilo mangá ou as anomatopéias das comics norte-americanas. Entretanto, outro fator salta aos olhos, ou melhor, aos ouvidos: a trilha sonora.

O rock indie com misturas de punk é o que comanda as músicas escritas pelos próprios personagens. Melhor dizendo, as canções fazem parte do universo deles e não há músicas importadas de artistas conhecidos. Melhor dizendo ainda, há uma música do game “The Legend of Zelda” que toca na cena do sonho de Scott. O resto são “sucessos” do Sex Bob-Omb e Crash for the Boys, ambas as bandas criadas para os quadrinhos e consequentemente para o filme.

Apesar de ser um filme visualmente riquíssimo, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” peca um pouco pelo exagero nerd. A galera que gosta de games, quadrinhos e rock (nessa ordem) irá entender muitas (ou todas) as referências que o longa faz. Quem está fora desse mundo, certamente vai estranhar um cara se desmanchando em moedas ou tirando uma espada do peito.

Talvez esse tenha sido um dos motivos da baixa arrecadação da obra nos Estados Unidos. Além, claro, do fato de ter um protagonista canadense e não o tradicional herói estadunidense.

Como adaptação do material original, o roteiro não suportou as tantas outras referências Pop, principalmente aos quadrinhos, que acabaram ficando de fora. Porém, nada disso arranca a coragem do diretor Edgar Wright e a fabulosa direção de arte.

O excelente potencial de entretenimento, o sólido universo criado por O’Malley, o cuidado com a trilha sonora e o espaço dado à todos os personagens secundários dará à Scott Pilgrim a merecida fama mundial. Certamente, ele já virou ícone nerd para muitos podendo ultrapassar até um certo encanador bigodudo...

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Título Original: Scott Pilgrim vs The World
Direção:  Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans
Duração: 112 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 05/11/2010
Nota:

De olho no filão lucrativo das adaptações de quadrinhos, os executivos de Hollywood vêm investindo em personagens pouco conhecidos do grande público. Tentando repetir o sucesso de “Blade – O Caçador de Vampiros” (1998), a indústria cinematográfica cometeu o mediano “Constantine” e os fracos “Demolidor” e “Motoqueiro Fantasma”. Somente este ano, a DC Comics conseguiu decepcionar os apreciadores de HQ’s duas vezes. Primeiro com “Os Perdedores” e mais recentemente com “Jonah Hex – Caçador de Recompensas”.

Vivido por Josh Brolin, o anti-herói Jonah Hex renderia uma boa adaptação. Um personagem violento que teve sua família assassinada e é movido pelo desejo de vingança (clichê número 1) caça bandidos em troca de recompensas (clichê número 2) no cenário do Velho Oeste. Apesar dos lugares comuns, o diretor Jimmy Hayward (Horton e o Mundo dos Quem) poderia apelar para a estética e fazer um longa obscuro que explorasse o riquíssimo gênero Faroeste e a carga dramática do caçador de recompensas. E cá pra nós, Josh Brolin daria conta do recado. Mas o que vemos em tela é algo no estilo “As Loucas Aventuras de James West” (1999), ao menos sem o espalhafato tecnológico.

Optando pelo lado da aventura (??), Hayward acerta somente na ótima abertura animada que conta em segundos a origem do herói do filme. Espertamente, o diretor adota técnicas de sua experiência como animador do aclamado estúdio Pixar. A sequência lembra uma HQ do lendário Stan Lee que, em no máximo duas páginas, contava a origem de um personagem.

Porém, usar esse tipo de abordagem implica em dois fatores. Um é pular todo o blábláblá introdutório e ir direto para a ação. O outro é que o apego do público pelo herói vai se dar apenas se o fulano for carismático como um Homem-Aranha.

Jonah Hex é o tipo de personagem que nem de longe possui um grau elevado de carisma. Por ser desconhecido das massas, fica ainda mais difícil uma audiência jovem se apegar a um matador de uma época passada. Mas se você pensa que ao menos a história vai ganhar ritmo saltando para a ação, enganou-se. O filme é lento, com sequências de ação mornas e atuações bocentes.

Brolin liga o piloto automático e não lembra nem um pouco o ator vigoroso de “Onde Os Fracos Não Têm Vez”. Nem a presença de John Malkovich (Queime Depois de Ler) como Quentin Turnbull agrada. O vilão é uma espécie de terrorista (clichê número 3) que coloca em risco a tão subestimada segurança nacional estadunidense (clichê número 4). Malkovich parece que fez o longa para pagar a conta de energia atrasada...

Já a beldade Megan Fox interpreta uma prostituta (clichê número 5) apaixonada por Hex (clichê número 6). Seu papel é um mero adorno decorativo (clichê número 7) que não possui nenhuma importância dentro da trama (clichê número 8) além de fazer os marmanjos do cinema babarem (clichê número 9). Fox, por sinal, vem perdendo a credibilidade a cada novo trabalho que faz. De “Transformers” a “Garota Infernal”, sua carreira vem descendo ladeira abaixo.

No final, “Jonah Hex” não será a galinha dos ovos de ouro da Warner Bros/DC Comics. Pelo contrário! O longa amargou um baita prejuízo para o estúdio: dos 47 milhões de dólares investidos, arrecadou em bilheteria mundial nem 11 milhões de dólares (fonte: Box Office Mojo). No Brasil, a película deve seguir o mesmo caminho de “Os Perdedores” e chegar diretamente para o mercado de DVD/Blu-Ray. Para fechar o clichê número 10: isso é o que acontece quando modificam um material adulto para lucrar com uma faixa etária mais abrangente.

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Título Original: Jonah Hex
Direção:  Jimmy Hayward
Elenco: Josh Brolin, Megan Fox, John Malkovich
Duração: 81 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: direto para DVD/Blu-Ray
Nota:

Atenção, galera nerd! Neste sábado (09/10) vai rolar em Recife, Pernambuco, o mega evento “Dos Quadrinhos Para as Telonas V“! O grande encontro para fãs de quadrinhos, cinema, anime e mangá trará muitas atrações para todos os gostos!

O evento acontecerá na FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU, Bloco C, que fica no bairro das Graças. A ampla estrutura do local permitirá recepcionar as milhares de pessoas esperadas.

As presenças dos dubladores Hermes Baroli (CdZ, Full Metal Alchimist) e Marco Ribeiro (Yuyu Hakusho, Homem de Ferro – O Filme) são a cereja do bolo! Os artistas estarão em bate-papo com o público falando sobre dublagem e imitando os personagens que fizeram suas carreiras.

Também irá rolar o mega Campeonato de Games com premiações para os vencedores em primeiro lugar. Tem Super Street Fighter IV, PES 2010, Guitar Hero Smash Hits, Super Smash Bros Brawl, Mortal Kombat e King of Fighters.

O Concurso de Cosplay organizado pelo Animepan também vai fazer a alegria da galera ainda mais com uma boa premiação em dinheiro! Preparem suas roupas!

Já a “Liga dos Jornalistas” irá te deixar por dentro das últimas notícias sobre os filmes baseados em quadrinhos e mangá e mostrará trailer, posters e materiais exclusivos das produções da Marvel e DC Comics nos cinemas!

Ainda terá salas temáticas de Harry Potter, Crepúsculo e a Retrô Station com os melhores desenhos e videoclipes nacionais dos anos 80 e 90.

Quem quer fazer quadrinhos não pode perder a oficina da Prismarte que ensinará como fazer uma HQ da idéia do roteiro até a finalização. Também haverá feira cultural, karaokê e muitas outras atrações

Para conferir mais detalhes sobre as atrações, acesse o site oficial do evento (http://dosquadrinhosparaastelonas.wordpress.com)! No site, tem todos os locais de compra de ingressos também.

O "Dos Quadrinhos Para as Telonas V" é uma produção do Cineflash Produções, tendo como responsáveis o jornalista Leonardo Peixe e o publicitário Rafael Nogueira.
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Serviço

DOS QUADRINHOS PARA AS TELONAS V
Dia 09 de Outubro
Local: Faculdade Maurício de Nassau (Mais informações aqui)
Horário: 8h às 18h
Ingresso: R$ 8,00 antecipado | R$ 10,00 no dia

Interessante observar o fascínio que os vilões exercem sobre o público. Desde a década de 1970, o obscuro Darth Vader é uma das figuras icônicas do Cinema e conquistou seu posto de “bad guy” logo na sua primeira respiração pesada em “Star Wars – Uma Nova Esperança”. Nos anos 90, o comediante Mike Myers nos entrega o atrapalhado Dr. Evil e o vilão acaba roubando a cena do herói Austin Powers. O mesmo aconteceu com o falecido ator Heath Ledger com o seu Coringa de “Cavaleiro das Trevas”, papel que lhe rendeu o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante.

Com a vilania fazendo bonito nas telonas não ia demorar muito para que um dos praticantes do Lado Negro virasse protagonista de um filme só seu. Assim, a Universal Pictures lança a animação “Meu Malvado Favorito”.

Nela seguimos a vida de Gru (Steve Carrell), um super-vilão de araque que já chamou a atenção algumas vezes e ganhou as manchetes de jornais. As atitudes dele condizem mais com uma criança mal criada ou um cara ultra anti-social (assim como o Dr. Evil) do que propriamente um cara ruim. Entre as malvadezas de Gru estão estourar o balão de um garotinho ou furar a fila do café usando raio congelante.

Ele vê seu pseudo-reinado do mal ameaçado quando surge Vetor (Jason Segel), um ladrão mimado que rouba uma das pirâmides do Egito e troca por uma réplica inflável. A jogada chama a atenção da mídia elevando o recém-chegado inimigo à status de mega-vilão. Para não ficar por baixo, Gru decide colocar em prática um plano audacioso: roubar a lua. Mas para isso, ele terá que contar com a ajuda de três garotinhas órfãs que poderão ensinar uma valiosa lição ao nosso protagonista.

Assim como testemunhamos Vader se tornar mal na nova trilogia de “Star Wars”, no longa acompanhamos o processo inverso de Gru. A animação traz uma bela mensagem sobre o amor paterno e mostra a linha tênue entre o bem e o mal, mesmo que de forma sutil.

As garotinhas que são adotadas pelo vilão representam a chegada de uma mudança na vida do personagem. O interessante é que elas vão ganhando importância dentro da trama aos poucos como se lentamente a representação do afeto fosse tomando conta de Gru.

Porém, a trama escorrega ao não estabelecer bem como funciona um mundo habitado por super-vilões. Apenas sabemos que eles recorrem a um Banco de Vilões para conseguirem financiamento para seus planos. É como se as autoridades e as pessoas nem ligassem para o que eles fazem. Só os jornais e a TV é que se interessam no assunto.

Outra falha que estraga um pouco a diversão são as piadas velhas a maioria delas protagonizadas pelos estranhos e amarelados Minions. Prepare-se para ir da batida piada com pum até a típica dancinha para animar a platéia no final. Os tais seres tentam funcionar como as lesmas de “Por Água Abaixo”, mas o máximo que conseguem são alguns risos tímidos. Em alguns momentos, a sensação é que estamos assistindo a uma reprise de “Zorra Total”.

Falando no programa, vale apontar, na versão dublada do longa, a presença de dois comediantes que são figurinhas tarimbadas na atração global: Leandro Hassum e Marcius Melhem. A dupla que também está no dominical “Os Caras de Pau” parece que faz dublagem há anos. Estão soltos e fazem a sincronia labial muito bem. Hassum inclusive adotou em Gru o sotaque estrangeiro (meio alemão, meio russo) incorporado por Steve Carrell, o dublador da versão original em inglês. Enquanto isso, Melhem empresta sua voz ao oponente Vetor e ousa até fazer algumas modulações.

Além da dublagem, também não tem como passar batido em outra observação sobre a adaptação do longa para a nossa língua. O título finalmente foi traduzido de forma inteligente e sintetizou o filme melhor que o original (“Despicable Me” ou “Desprezível Eu” numa tradução literal).

“Meu Malvado Favorito” não será um clássico da animação, mas os pequenos detalhes da película e belo trabalho de dublagem merecem um conferida. Alem do mais, sempre é bom aprendermos ou lembrarmos algumas lições importantes que às vezes nos escapam no dia-a-dia. O engraçado é que, neste caso, um vilão irá nos ensinar isso. Prova mais que suficiente que o nosso fascínio por estes “malvados” está longe de acabar.

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Título Original: Despicable Me
Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud
Elenco: Em inglês (Steve Carrell, Jason Segel e Julie Andrews). Versão Brasileira (Leandro Hassum e Marcius Melhem).
Duração: 95 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 06/08/2010
Nota:

Kevin Smith gosta de brincar com os gêneros. Em “Dogma” (1999), o diretor avacalhou com os estigmas da Igreja Católica. Já em “O Império (do Besteirol) Contra Ataca” (2001) os road movies foram satirizados trazendo os personagens Jay e Silent Bob, esse último interpretado pelo próprio diretor. No seu trabalho anterior, “Pagando Bem Que Mal Tem” (2008), foi a vez de escrachar com o submundo dos filmes eróticos. Agora, os longas policiais entram na mira do cineasta em “Tiras em Apuros” que a Warner Bros. lançará direto para o mercado do home-video.

Fanboy de carteirinha, Smith sabe diálogos de filmes de cor e suas obras sempre trazem referências de produções clássicas (outras nem tanto) e protagonistas “losers” que no final provam o seu valor. No novo longa não é diferente. Já nos primeiros minutos vemos a dupla de tiras interpretada pelo astro Bruce Willis (Substitutos) e o comediante Tracy Morgan (Super-herói – O Filme) desferirem uma porção de frases famosas do cinema durante um interrogatório. Atente para o bordão dito por Willis na franquia “Duro de Matar”. Hilário!

De posse das informações, eles caem campo para prenderem um traficante de drogas. Mas os policiais estão mais preocupados com seus problemas pessoais do que na operação e a missão acaba como um fracasso colossal. Ambos são afastados de seus cargos e não receberão o salário por um mês.

Porém, o casamento da filha de Jimmy Monroe (Willis) está próximo e ele precisa de dinheiro para pagar os gastos. Duro, ele decide vender um antigo e valioso card de beisebol, mas é roubado pelo chatíssimo Dave (Seann William Scott, o Stifler de “American Pie”), um bandidinho praticante de parkour (esporte em que o indivíduo sobe muros e telhados, por exemplo, sem ajuda de equipamentos). Sem distintivos e sem grana, Jimmy e Paul Hodges (Morgan) entram sem querer em uma enorme teia de eventos que os colocarão cara-a-cara com o traficante que eles perseguiram no início do filme.

Os clichês dos filmes policiais estão todos lá e de forma bem exagerada (quase caricata). Logo de cara, temos a dupla protagonista formada por um branco e um afro-descendente como em “Máquina Mortífera”. O vilão é um traficante estrangeiro, no longa é um latino, que leva ao máximo o estereótipo da raça tanto no sotaque quanto nas feições de “bad guy”.

A trilha sonora também acompanha esse ritmo e temos algo que nos lembra “Um Tira da Pesada”. A música chega a incomodar em alguns momentos, mas casa com a paródia proposta pelo diretor.

Os momentos de face-off (arma cara-a-cara) e tiroteios, a coadjuvante bonita (Ana de la Reguera) que deve ser salva pelos mocinhos, a dupla de policiais rival que aparenta ser bom no que faz. Todos esses clichês também estão presentes propositalmente, mas não de forma inovadora (ou mesmo engraçada) o que acaba prejudicando bastante o longa.

Um dos pontos altos é a subtrama que mostra Paul tentando descobrir se a sua esposa está lhe traindo com o vizinho. Ele chega a ligar para esposa durante uma operação de disfarce ou em uma tocaia e fica louco quando ela não atende o telefone. A culpa pelo divertimento nesses momentos se deve unicamente ao roteiro já que o ator Tracy Morgan está bem mediano.

“Tiras em Apuros” é interessante pelas referências à cultura pop que é a marca registrada do diretor Kevin Smith. Com um elenco pouco inspirado, a brincadeira que poderia ter dado certo acaba como uma diversão mediana e típica para ser vista em DVD/Blu-Ray.

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Título Original: Cop Out
Direção: Kevin Smith
Elenco: Seann William Scott, Bruce Willis, Jason Lee, Adam Brody, Michelle Trachtenberg, Tracy Morgan, Mark Consuelos
Duração: 107 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: direto para home-video (sem previsão)
Nota:

sexta-feira, 23 de julho de 2010 às 11:34 Postado por Leonardo Peixe 0 Comments

O personagem Predador é como um vilão de filme de terror: todo mundo adora odiar. Criado em 1987 para o filme “O Predador”, o seu visual aterrador e hi-tech criado pelo saudoso mago dos bonecos eletrônicos Stan Winston ganhou logo de cara (e que cara!) a admiração dos fãs de ficção científica. A atenção que a raça alienígena chamou foi tanta que, além de estampar o título de sua franquia (o que não acontece com os vilões de terror), quando entra em cena consegue desviar os olhos do espectador até de astros do calibre de Arnold Schwarzenneger.

No recente “Predadores”, como sugere, há não apenas um monstrengo com cara de caranguejo, mas quatro e junto com eles uma espécie de raça de cão predador. Com tantos E.T’s feiosos em tela era pra ficar difícil prestar atenção no bando de atores que serão meras caças para as criaturas. Mas não é bem assim...

Dirigido pelo cineasta com nome de predador Nimród Antal (Temos Vaga), o longa tem a dura missão de restaurar a franquia que teve uma fraca continuação estrelada por Danny Glover em 1990 e dois crossovers lamentáveis com as baratas especiais da série “Alien”. Junto com o produtor Robert Rodriguez (diretor de “Planeta Terror”), a equipe teria que resgatar toda a atmosfera de caça que colocava o homem contra o desconhecido e transformava o ambiente aberto da selva em um lugar claustrofóbico do primeiro filme. Realmente, uma tarefa difícil...

Para isso, a trama tenta reapresentar o Predador e começa jogando o público literalmente de pára-quedas junto com o personagem de Adrien Brody (King Kong) em uma estranha floresta. Junto com o ator, que interpreta um mercenário bad ass, vamos descobrindo como ele veio parar naquele lugar. Logo ficamos sabendo que ele não veio sozinho e forma-se um grupo com ex-militares (um deles é a brasileira Alice Braga), um traficante latino (Danny Trejo), um membro da Yakuza (Louis Ozawa Changchien), um líder de gangue africana (Mahershalalhashbaz Ali), um procurado pelo FBI (Walton Goggins) e um médico (Topher Grace). Ufa!

Lenta e penosamente, os personagens contam suas histórias e fazem o reconhecimento do local onde caíram percebendo que estão em outro planeta. Além de abduzidos, o mercenário de Brody revela que o grupo está sendo observado, perseguido e brevemente serão caçados. Após essa longínqua abertura finalmente começa o que realmente importa, os Predadores aparecem!

Mas espera lá! Os bichos aparecem, mas antes vem os cães predadores e mais um monte de conversa chata. É, os verdadeiros protagonistas vão fazer o seu show somente perto do final do filme. Assim, quem já conhece a franquia tem que ficar sabendo novamente que os alienígenas são peritos em caça, que atiram com armas a laser, que têm visão térmica, que se camuflam no ambiente e que são feios pra caramba!

Tudo isso em meio a um monte de clichê pra lá de desgastados como as balas da arma da mocinha acabar em um momento crítico, perguntar “quem é você” em um momento já esperado ou a tentativa de susto aumentando o volume da trilha sonora. Falando em música, somos obrigados a esperar o ataque dos feiosos sob uma torturante e repetitiva música de background. Assim, o filme que era para dar um novo ar à franquia acaba usando ingredientes velhos.

As novidades que Antal e Rodriguez reservam são poucas. O ambiente de caça sai da Terra para outro planeta e coloca os humanos com mais um problema: como voltar para casa. Porém, no lugar de resolverem a tal dificuldade, os realizadores decidiram jogar isso mais para frente. Também há um novo tipo de Predador ainda mais robusto e feroz que os já apresentados na série como se a raça fosse divida em tribos hierárquicas. Um ponto interessante, mas pouco explorado. Ah! E tem os cães predadores que são... cães ferozes de focinho feio... e só...

“Predadores” não adiciona muito à série, mas também não é uma catástrofe retumbante como “Aliens VS Predador”. O uso excessivo de clichês e o foco demasiado nos personagens humanos estragam o que poderia ter sido uma retomada digna dos E.T.’s de dread em grande estilo. Se você prestar atenção direitinho pode perceber até uma mensagem subliminar de xenofobia em que somente os estadunidenses são espertos o suficiente para escapar dos bichanos. Mas isso só aumenta a nossa vontade de ver os predadores caçando os humanos bocós remanescentes liderados por Adrien Brody. Pena que até isso não acontece. No final, os predadores acabam sendo abafados por um elenco não tão estelar.

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Título Original: Predators
Direção: Nimród Antal
Elenco: Adrien Brody, Topher Grace, Alice Braga, Walton Goggins, Oleg Taktarov, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Louis Ozawa Changchien
Duração: 107 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 23 de julho de 2010
Nota:

Karatê Kid – A Hora da Verdade” foi responsável por uma verdadeira mania entre os adolescentes. Lançado em 1984, o longa lotou não apenas as salas de cinema como as academias de artes marciais com jovens querendo aprender a arte ensinada pelo Sr. Miyagi (o saudoso Pat Morita). A produção também catapultou a carreira de Ralph Macchio que encarnou o discípulo Daniel-San e colocou Morita como personalidade cult. O sucesso do filme rendeu mais três continuações e uma série animada para a TV.

Vinte e seis anos depois (e uma crise de criatividade em Hollywood), eis que a Sony Pictures resolve fazer um remake mudando o elemento do Karatê para o Kung Fu. No elenco, o filho do astro Will Smith, Jaden Smith, e o mestre da ação Jackie Chan teriam a grande responsabilidade de recriar a química de Macchio e Morita. Muita gente (inclusive eu) duvidou do projeto que não se decidia se levaria o título original ou mudaria para “Kung Fu Kid”.

Eis que o longa pipoca nas telonas chamando-se “Karate Kid” para buscar nas mais remotas lembranças da galera de vinte e tantos anos a referência ao clássico. Mas durante a projeção é possível ver o imenso respeito que os realizadores tiveram ao material de origem e que Chan e Smith conseguiram com louvor reproduzir a cumplicidade e amizade do mestre com o discípulo.

A nova versão conta a mesma história do filme antigo. Um jovem que é perseguido pelos valentões da escola se cansa de apanhar e, com a ajuda de um velho lutador, decide enfrentar seus oponentes em um torneio de artes marciais. Os fãs da franquia irão se deliciar com a paródia da habilidade de Miyagi em pegar moscas com o hashi (o pauzinho usado pelos orientais para comer – sem duplo sentido, por favor). Também vão encontrar referências às lições do “encera carro” e “lixa assoalho”. Até o clássico chute da águia de Daniel-San será lembrado de forma diferente em algum momento.

Contudo, muitos novos detalhes foram acrescentados no filme de Harald Zwart (A Pantera Cor-de-Rosa 2) que conferem a obra um upgrade e, por falta de uma palavra melhor, refresh do anterior. Primeiro, o nome dos protagonistas foram mudados. Daniel-San agora é Xiao Dre e Sr. Miyagi é Sr. Han. Parece ser nada demais, mas a alteração ajuda o público a acolher melhor os personagens.

Outro fator interessante é a mudança do local da história dos Estados Unidos para a China. A obrigação de se inserir em uma cultura bastante diferente, aprender uma nova língua e ter que fazer amizade em uma cidade estranha ajuda a aumentar o clima de deslocamento do pequeno Dre Parker. Claro que a fotografia de Pequim também dá um tempero visual.

A escolha por um ator mais jovem que no longa original também compõe o cenário de exclusão do protagonista uma vez que ele depende da mãe para fazer certas coisas. E, aos 12 anos, não há mico maior que sair com a garota que você está fim com a mãe ao lado.

Aliás, a relação mãe e filho é pouquíssima explorada. Tal fator poderia dar até mais dramaticidade ao longa. A indicada ao Oscar de Melhor Atriz por “O Curioso Caso de Benjamin Button” Taraji P. Henson interpreta Sherry Parker, mãe de Dre. Ela deveria ter sido melhor aproveitada e acaba limitada a pequenas aparições. Em adição, o elenco de apoio com atores chineses também não ajuda muito.

Entretanto, Jackie Chan faz um ótimo trabalho. O astro faz uma das atuações mais convincentes de sua carreira. Comedido, ele dá o tom dramático correto para Sr. Han. Chan brilha na cena em que Dre o encontra dentro de um carro quebrado em que é revelado o passado do seu personagem. A sequência se estende até uma pequena e bela luta entre professor e o aluno. Sem dúvidas essa é a uma das partes mais emocionantes do longa.

No final, Jackie Chan conquista um pouco da admiração de quem sempre duvidou de sua capacidade de atuação. Já Jaden Smith mostra que está trilhando o caminho do papai famoso fazendo do seu Dre um cara cheio de marra e conquistador.  O jovem ator demonstra que realmente se preparou para lutar Kung Fu e faz ele mesmo algumas cenas de ação. Talvez, tenha pegado algumas dicas com o parceiro de cena. ;)

“Karate Kid” irá agradar tanto quem acompanhou as aventuras de Daniel-San nos idos anos oitenta quanto a nova geração. O filme, contudo, não deve virar uma verdadeira febre como o original. Afinal, o Kung Fu já está sendo explorado há décadas na indústria do cinema. Embora duvide que a franquia ganhe uma nova série animada, torço para que tenha ao menos uma continuação.

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Título Original: The Karate Kid
Direção: Harald Zwart
Elenco: Jackie Chan, Jaden Smith, Taraji P. Henson, Wenwen Han
Duração: 140 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 27 de agosto de 2010
Nota:

Pense em alguma animação infantil lançada nos cinemas que traga crianças como protagonistas. Na Disney temos princesas e heróis jovens. Com a Pixar vemos robôs, brinquedos e super-heróis. Já a Dreamworks apresenta animais e um ogro verde.  Nada de crianças, né?

A resposta vem do outro lado do mundo. O diretor japonês Hayao Miyazaki prova (mais uma vez) que a garotada tem um enorme potencial de carregar um longa animado cheio de emoção em “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar”.

Em 1988, com “Meu Amigo Totoro”, Miyazaki já mostrava a predileção por contar histórias de fantasia sob o olhar curioso e imaginativo da criança. O reconhecimento mundial pelo modo peculiar e poético de suas animações só veio em 2001 com o aclamado “A Viagem de Chihiro” que ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2003. O filme era uma espécie de “Alice no País das Maravilhas” que seguia uma garota de 10 anos em um mundo fantástico com personagens folclóricos do Japão.

No seu novo trabalho, o cineasta também faz referência a outro clássico da literatura infantil, ”A Pequena Sereia” de Hans Christian Andersen. Nele, Ponyo é uma princesa-peixe de cinco anos que escapa do navio submerso de Fujimoto, seu pai super-protetor. Ela vai parar em uma pequena cidade litorânea onde conhece Sosuke que acolhe a peixinha. O amor inocente entre os dois personagens cresce e, durante um pequeno acidente, Ponyo acaba provando um pouco do sangue do garoto.

A amizade entre eles é interrompida quando Fujimoto resgata a sua filha levando-a para o fundo do mar. Mas o DNA do menino se funde ao da princesa que se transforma em uma garota humana. Obstinada a reencontrar Sosuke, Ponyo foge mais uma vez para a superfície e traz consigo um tsunami que irá naufragar a cidade e poderá destruir o mundo.

Os personagens são apresentados com uma bela delicadeza poética e os laços de relação construídos entre eles são simplesmente verdadeiros. Impossível não encher os olhos com as cenas coloridas das duas fugas de Ponyo ou não se divertir com as velhinhas do asilo onde a mãe de Sosuke trabalha.

O visual do longa é de encher os olhos das crianças e também dos adultos. Em meio a tantos recursos de animação computadorizada, Miyazaki ainda faz questão de trabalhar à moda antiga com desenhos feitos a mão e pintados com tinta e pincel.

Além da técnica e dos protagonistas infantis, ele deixa outra marca sua impressa na película: o túnel. Assim como em “A Viagem de Chihiro”, o elemento serve para marcar a transição ou crescimento do protagonista em que ele enfrenta um dilema importante.

Apesar de toda a beleza visual e emocional, a animação possui suas falhas como a mãe do garoto aceitar tranquilamente uma menina que veio do mar sem muito questionamento. Ou a história de fim do mundo jogada às pressas no final. Contudo, isso não coloca em cheque o conjunto da obra.

“Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar” é daqueles filmes que agradam a família e faz refletir sobre o verdadeiro amor e de aceitar a pessoa amada do jeito que ela é. Embalado por um espetáculo de cores, Hayao Miyazaki ensina novamente que através do olhar das crianças é que podemos observar melhor a pureza e a fantasia que estão ao nosso redor.

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Título Original: Gake no Ue no Ponyo
Direção: Hayao Miyazaki
Elenco: Yuria Nara, Hiroki Doi, Jôji Tokoro, Tomoko Yamaguchi
Duração: 101 min
Ano de Produção: 2008
Estréia: 23 de julho de 2010
Nota:

sexta-feira, 9 de julho de 2010 às 20:25 Postado por Leonardo Peixe 6 Comments

O ogro verde mais famoso das telonas está volta. “Shrek Para Sempre” marca o final das aventuras do personagem dublado por Mike Myers (Bastardos Inglórios) iniciada em 2001. Durante todos esses anos, acompanhamos Shrek encontrar o amor, casar, conhecer a família da esposa, ter filhos e construir laços de amizades eternos. Então, o que ainda falta contar da vida deste ogro de sorte?

No quarto filme, o nosso herói está se sentindo aprisionado à rotina do casamento. Cuidar da casa e dos filhos e, em meio a isso, ser uma celebridade local está lhe privando do que ele mais adora: ser um ogro. Na festa de um ano de seus trigêmeos, Shrek acaba surtando e discute com sua esposa Fiona (Cameron Diaz).

Furioso, ele entra floresta adentro e acaba esbarrando com o ganancioso Rumpelstiltskin (Walt Dohrn). O baixinho propõe um acordo em que Shrek poderá ter um dia sem a família e os amigos por perto e fazer o que quiser. Em troca, o verdão terá que ceder um dia de sua infância. Ao assinar o contrato, ele vai parar em uma realidade em que nunca existiu, a princesa Fiona não foi salva e que Rumpel é o soberano déspota do reino de Tão Tão Distante.

O grande problema da trama é que ela recorre ao velho clichê do “e se isso tivesse acontecido” e culmina no “foi tudo irreal”. No final das contas, somente o personagem principal evolui. Burro (Eddie Murphy), o Gato de Botas (Antonio Banderas) e os outros amigos literários que brilhavam nos primeiros filmes fazem meras figurações de luxo.

As novidades ficam por conta do exército de bruxas inspiradas em “O Mágico de Oz” (1939) e da tropa de ogros que mostra que há mais seres como Shrek espalhados por aí. O vilão Rumpelstiltskin também é um dos novos personagens e talvez seja o inimigo mais ameaçador da franquia.

No primeiro longa, Lord Farquaad foi eclipsado pela porção de figuras interessantes que recheavam a história. Já no segundo capítulo, a Fada Madrinha e o Príncipe Encantado eram mais engraçados que ameaçadores. Enquanto na aventura anterior temos a volta de Encantado como antagonista principal e que não teve a força de conduzir uma trama convincente.

Apesar de ter seus momentos cômicos, Rumpel é essencialmente um mau caráter. Mentiroso, ganancioso e mesquinho, ele usurpa o que cada um tem de melhor com seus acordos desonestos. A desgraça alheia é seu trampolim para o sucesso. Enfim os roteiristas Josh Klausner e Darren Lemke marcam ponto por manterem a má índole do duende criado pelos irmãos Grimm em um conto publicado em 1812.

O longa também peca pelo excesso de inimigos. Além das bruxas e de Rumpel, há o Flautista de Hamelin, personagem folclórico que ganhou também teve um conto dos Grimm. Ele rende momentos engraçados como a hipnose dos seres através da flauta, mas é bastante subutilizado.

As excelentes referências ao mundo POP que se destacaram principalmente no primeiro e segundo filme são apenas um adereço a mais no novo longa da série. Antes havia referências a filmes como “A Pequena Sereia”, “E.T. – O Extra Terrestre” e “A Um Passo da Eternidade” e o humor politicamente incorreto embalado por “YMCA” do Village People,“Funktown” do Lipps Inc. e até mesmo “Livin’ La Vida Loca” de Rick Martin.

Agora, o ogro realmente parece que foi domesticado e toda a esculhambação com os personagens da literatura, de filmes infantis e com a cultura POP em si parece certinha demais. Transformaram Shrek em produto tipicamente para a garotada.

Ao subir os créditos, fica a sensação que tivemos um divertimento familiar, mas que parece uma realidade alternativa do próprio Shrek. O deboche da franquia foi substituído por uma postura de praxe em qualquer longa infantil. Há toda uma mensagem sobre o valor da família e da verdadeira felicidade. Mas o irônico disso tudo é que, anteriormente, mesmo o personagem não estando dentro dos padrões convencionais de um tipo heróico passava o recado à sua maneira.

Ao menos, “Shrek Para Sempre” pode se gabar de ser melhor que o filme anterior. Porém, os adultos que curtiram o ogro verde por anos vão ficar um pouco desapontados com o desfecho das suas aventuras. Com a batida história de “realidade alternativa”, parece que inclusive os produtores achavam que a história contada no quarto capítulo tinha que ser mostrada apenas com fins lucrativos...

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Título Original: Shrek Forever After
Direção: Mike Mitchell
Elenco: Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Antonio Banderas
Duração: 93 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 09 de Julho de 2010
Nota:

quarta-feira, 30 de junho de 2010 às 19:51 Postado por Leonardo Peixe 1 Comment

Desde que a Sony Pictures decidiu reiniciar a franquia "Homem-Aranha" nos cinemas, uma porção de nomes de atores pipocaram na Internet para reviver Peter Parker nos cinemas até que foi revelada uma lista com cinco candidatos.  Hoje, o site Latino Review publicou, segundo relatos de uma fonte interna do estúdio, que a escolha foi feita!

Parece que Josh Hutcherson será Peter Parker, o Homem-Aranha!  O ator era o mais jovem (18 anos) entre os concorrentes à vaga para o papel e era tido com um dos favoritos.  Ele esteve no longa "Jornada ao Centro da Terra" e fará a continuação antes de entrar na adaptação do super-herói aracnídeo.

Segundo a tal fonte do Latino Review, o diretor Marc Webb escolheu Hutcherson por achar que ele se encaixa bem como o nerd do Queens.  A contratação parece correta, uma vez que o ator tem jeitão de herói, mas que com um óculos e o figurino certo ficará a cara de Parker.

A notícia ainda falta ser confirmada (ou desmentida) por alguém da produção ou do próprio estúdio.  Isso deve acontecer em breve já que as filmagens estão agendadas para começar ainda neste ano.

Rumores dizem que o vilão será o Lagarto.

O novo filme do Homem-Aranha será um reinício da franquia nos cinemas. A trama seguirá os eventos mostrados na linha Millenium (ou Ultimate, nos EUA) e mostrará Peter Parker ainda adolescente. O roteiro está sendo re-escrito por Alvin Sargent (Homem-Aranha 2 e 3) em cima de um esboço feito por James Vanderbilt (Zodíaco).


O longa estréia em 3 de julho de 2012 também nas salas 3D.

às 16:36 Postado por Leonardo Peixe 0 Comments

A garotada que curte o seriado “Malhação ID” nem imagina como as antigas roqueiras deram duro para que as tais meninas da banda fictícia “The Lícias” enfeitassem os fins de tarde da Rede Globo. Em meados dos anos 1970, as componentes da “The Runaways” encararam a fúria masculina que dominava o cenário rock mundial e formaram o primeiro grupo de sucesso totalmente composto por mulheres. Ou seriam adolescentes? Bem, o que importa é que a banda recentemente ganhou uma cinebiografia que será lançada em agosto nos cinemas.

Para dar vida às personalidades fortes da vocalista Cherie Currie e da guitarrista e líder da banda Joan Jett foram escolhidas duas atrizes de apelo junto aos jovens da atual geração: Dakota Fanning e Kristen Stewart, respectivamente. A primeira praticamente cresceu com os jovens que irão assistir “The Runaways” tendo estrelado uma porção de filmes infantis como “A Menina e o Porquinho” e “O Gato”. Porém, Dakota já demonstrou ainda pequena talento e versatilidade atuando tanto no terror “O Amigo Oculto” quanto no drama “Uma Lição de Amor” sendo considerada uma das melhores atrizes mirins de seu tempo.

Desta vez, a menina cresceu e aceita o desafio de mostrar para o público que pode ir além do que já fez. Ela interpreta a adolescente “chave de cadeia” também conhecida como Cherry Bomb que canta numa banda de rock, usa drogas e tem relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Mais uma vez, a ex-garotinha chama todos os holofotes para si eclipsando (sem trocadilhos) a sua companheira de cena.

Kristen Stewart é a nova estrela em ascensão em Hollywood. Protagoniza a adaptação para as telonas do grande sucesso literário “A Saga Crepúsculo” e vem estampando capas de revistas e sites sobre a mitologia dos vampiros de Stephenie Meyer. Apesar da fama, Kristen ainda não se provou uma boa atriz e esse é o seu desafio em “The Runaways”.

Na pele da forte Joan Jett, cujo hit “I Love Rock N’ Roll” já foi tocado até recentemente no game “Guitar Hero”, ela se esforça ao máximo para sair do estigma da doce Bella Swan, mas não vemos um trabalho de encher os olhos. Falta energia, garra, pulso firme, talvez um pouco de atitude Rock à Stewart. Nem o beijo entre ela e Fanning convenceu.

Correndo por fora no elenco, Michael Shannon merece destaque como o empresário Kim Fowley. A atuação de Shannon é energia pura. Seu papel no filme é mais ou menos como o da diretora Floria Sigismondi, injetar nas adolescentes Currie e Jett a adrenalina e o escracho do rock. O interessante é que Fowley atingiu o seu objetivo e lançou suas meninas ao estrelato, enquanto a cineasta ficou devendo...

Sigismondi conduz a história focando mais na relação entre as duas garotas à frente da banda deixando de lado até a biografia da banda em si. A cineasta, que já dirigiu inclusive clipes do ícone dos anos 70 David Bowie, tenta dar um clima quase documental na fotografia do longa. Temos uma imagem desbotada, um pouco suja, que tenta imitar o visual de “Christiane F.”, filme que retrata de forma crua o submundo das drogas.

No final, “The Runaways” marca o crescimento de Dakota Fanning não só como pessoa, mas como atriz. Ela mostra que está pronta para grandes desafios. Enquanto Kristen Stewart prova que tem coragem para inovar, mas que ainda falta amadurecer na arte da interpretação.

Pena que o longa seja apenas um drama centrado em Cherie Currie e Joan Jett, que “por acaso” fizeram uma banda totalmente feminina que influenciou outras gerações e deu origem a L7, Hole e outras tantas. Faltou um pouco de ousadia à diretora Floria Sigismondi que, desde a escolha do elenco, parecia estar mais preocupada em conseguir uma classificação etária amena e conquistar o público adolescente. De fato, ela conseguiu e as discípulas das The Lícias e os fãs de Crepúsculo certamente vão querer conferir “o filme com a atriz que faz a Bella”.

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Título Original: The Runaways
Direção: Floria Sigismondi
Elenco: Kristen Stewart, Dakota Fanning, Stella Maeve, Michael Shannon
Duração: 106 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 20 de Agosto de 2010
Nota:

Aleluia! Depois de um arrastado "O Enigma do Príncipe", finalmente o pau vai cantar em "Harry Potter e as Relíquias da Morte"!

O novo trailer do longa que será dividido em duas partes (lançadas em 3D) coloca o jovem bruxo de frente com o seu arqui-inimigo Voldemort!  Com uma trilha sonora épica e efeitos visuais caprichados, a prévia demonstra que a Warner Bros. não está poupando esforços (e grana) para agradar os fãs que seguiram a história de Harry nos livros e nos cinemas.

Embora a luta entre Potter e o lorde das trevas, já no final do trailer, tenha feito me lembrar de "Os Caça-Fantasmas"...  O que não é ruim, de jeito nenhum!



A primeira parte estréia em 19 de novembro e a segunda em 15 de julho de 2011.

às 20:51 Postado por Leonardo Peixe 1 Comment

Nos idos anos 1980, John Cusack iniciou sua escalada para o sucesso em comédias adolescentes como “Gatinhas e Gatões” (1983) e “Garota Sinal Verde” (1985). O tempo passou e o ator continuou fazendo papel do bom moço que perde a namorada também em “Alta Fidelidade” (2000) e “Os Queridinhos da América” (2001). No vindouro “A Ressaca”, Cusack brinca com o estigma que carrega há tempos.

Ele vive Adam, um... bem... bom moço que foi largado pela namorada e vive uma vida ordinária assim como seus ex-amigos de juventude Nick Webber (Craig Robinson) e Lou (Rob Corddry). Após anos afastados, o trio se reencontra após uma suposta tentativa de suicídio de Lou. Para animar o colega, eles decidem viajar para as montanhas e ficarem no mesmo quarto que iam quando eram adolescentes.

Sem nada para fazer no hotel decadente, a turma decide encher a cara na jacuzzi que na verdade é uma máquina do tempo. Sim, você não leu errado! De volta a década de 80, os rapazes enfrentam o dilema de repetirem as mesmas coisas que fizeram ou tentar algo diferente e mudar o futuro.

Ter uma banheira de hidromassagem como máquina do tempo é uma idéia absurda assim como muitas das cenas que permeiam o filme. Como o personagem Jacob (Clark Duke), sobrinho de Adam que também viaja no tempo e assiste a cena de sua concepção. Ou a tentativa de sexo oral de Lou em Nick após perder uma aposta.

O título original “Hot Tub Time Machine” (Jacuzzi Máquina do Tempo numa tradução literal) já deixa bem claro a esculhambação que o filme vai ser. As muitas falhas de roteiro são disfarçadas com uma porção de diálogos sobre filmes de viagens no tempo que vão de “De Volta Para o Futuro” a “Efeito Borboleta”. A proposta é uma diversão no melhor estilo oitentista.

Piadas sujas, seios de fora, sexo, farra, seios de fora, bebedeira. Eu já disse “seios de fora”? Sim, “A Ressaca” é uma homenagem escrachada a cultura pop que tornou os anos 80 conhecidos como a década perdida. O filme é como uma versão crescida de “Porkys”, um grupo de adultos-adolescentes em busca de transa, bebida e confusão. Além disso, referências a bandas, produtos, penteados, filmes e seriados antigos se fazem presente.

Dando continuidade a idolatria oitentista, os atores Chevy Chase (Férias Frustadas) e Crispin Glover (De Volta para o Futuro), conhecidos à época, fazem participações especiais. Chase é o cara estranho que tenta consertar a jacuzzi. Já Glover é o empregado do hotel prestes a perder o braço. Ambos os personagens não têm muita importância na trama assim como uma porção de outros elementos que entram em cena apenas para compor a piada.

Apesar de suas falhas, “A Ressaca” chega a ser divertido. Ver Cusack fazendo piada do papel que é acostumado a interpretar junto com um ode aos anos oitenta é o que mais atrai na comédia de Steve Pink (Aprovados). Quem não curte cenas non sense, palavrões e perversão é melhor não entrar na jacuzzi...

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Título Original: Hot Tub Time Machine
Direção: Steve Pink
Elenco: John Cusack, Rob Cordry, Craig Robinson, Chevy Chase, Clark Duke, Crispin Glover
Duração: 99 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 10 de Setembro de 2010
Nota:

quarta-feira, 9 de junho de 2010 às 20:30 Postado por Leonardo Peixe 0 Comments

Há dez anos, uma equipe de comandos especiais foi mandada para a prisão por um tribunal militar por um crime que não haviam cometido. Esses homens escaparam da prisão militar de segurança máxima passando a viver secretamente em Los Angeles. Ainda hoje são procurados pelo governo e sobrevivem como aventureiros, Soldados da Fortuna.”

Assim começava o famoso seriado “Esquadrão Classe A” exibido todas as sextas à noite de 1984 a 1986 aqui no Brasil. A história contada nesse trecho de exatos 25 segundos da abertura é o que testemunhamos durante os 117 minutos do novo longa baseado na série. E quer saber? Cada segundo vale a pena!

O longa dirigido e co-escrito por Joe Carnahan (A Última Cartada) respeita toda a mitologia da turma comandada por Hannibal Smith. O cineasta/roteirista também consegue dar um upgrade ao seriado e explica de forma divertida algumas manias do macho man B.A. Baracus.

Lá está o charuto constante na boca de Hannibal (Liam Neeson) e sua mente afiada para bolar planos. O charme irresistível do Cara-de-Pau (Bradley Cooper) com as mulheres e o jeito esperto de conseguir equipamentos e informações. A loucura insanamente engraçada de Murdock (Sharlto Copley, perfeito) junto com o talento impecável de pilotar uma aeronave. E, claro, a marra infantil de B.A. (Quinton ‘Rampage’ Jackson) e a sua tara por pilotar motos e seu furgão clássico. Por sinal, descobrimos de onde veio o medo de voar de B.A. que tanto no seriado (imortalizado por Mr. T) quanto no filme precisa ser dopado para entrar em um avião.

Rampage Jackson não faz feio na pele do gigante de moicano e respeita o legado de Mr. T. O visual impactante e que mete medo nos bandidos é contrastado com a ingenuidade do personagem em alguns momentos. Sim, antigos apreciadores do seriado! O B.A. continua o mesmo. Porém, o novo interprete consegue dar a sua própria leitura e não se restringe a imitar Mr. T.

Aliás, todo o elenco está super entrosado. Cada ator tem o tempo certo de tela para desfilar seu talento. Neeson brilha já de início com a fantástica cena de abertura que mostra a reunião dos membros do esquadrão. Cooper tem o seu grande momento no final com um plano que consegue quase se igualar aos de seu chefe Hannibal. Mas a grande surpresa fica por conta de Sharlto Copley.

O artista sul-africano rende momentos cômicos com seu Murdock “Louco de Pedra”. A fuga de seu personagem de um hospício na Alemanha é uma das partes mais hilárias! Ela brinca com um recurso bastante utilizado nas salas de cinemas atualmente, o 3D.

Mas não é só o tom de humor, herdado do show original, que faz parte da diversão. As cenas de ação são muito bem trabalhadas e empolgantes, embaladas por uma edição interessante.

Enquanto Hannibal conta o seu plano para a equipe, por exemplo, somos jogados em alguns cortes entrelaçados já para o campo de batalha. Assim somos poupados de ver tudo o que foi dito sendo executado. Outra cena bastante peculiar (para não dizer mentirosa) é a perseguição de avião que culmina com o Esquadrão Classe A em um tanque de guerra em pleno ar!

O filme tem suas mentiras, como a incrível sorte de Hannibal em encontrar, por acaso, dois membros de um grupo de elite do Exército estadunidense (o Ranger) no mesmo dia e no momento certo. Porém, elas não estragam tanto a diversão e o andamento da história.

As situações do seriado foram adaptadas para os tempos atuais. Como o caso dos Ranger que desta vez não são ex-combatentes do Vietnã, mas sim da Guerra do Iraque. Também não vemos o coronal vivido por Liam Neeson em disfarces ridículos como antigamente. Carnahan preferiu dar um estilo mais realistas aos personagens na nova versão. Porém, o furgão de B.A. é o único que continuou exatamente do mesmo jeito!

“Esquadrão Classe A” é o tipo de filme pipoca que diverte muito com doses de humor e adrenalina. O elenco em sintonia, uma boa edição e direção e o respeito à essência dos personagens e da mitologia da série fazem do longa um excelente upgrade do material original. Apesar das mentiras e de algumas situações previsíveis, aguardemos desde já a esperada sequência!

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Título Original: The A-Team
Direção: Joe Carnahan
Elenco: Liam Neeson, Bradley Cooper, Quinton 'Rampage' Jackson, Sharlto Copley, Jessica Biel
Duração: 117 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 11 de junho de 2010
Nota:

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