Decepção!  Fãs de longa data do Cabeça de Teia definitivamente sentirão essa sensação ao conferir "O Espetacular Homem-Aranha".  Diversos fatores contribuíram para que isso acontecesse.  Vamos destroçá-los agora.

Não faz muito tempo que a trilogia anterior do herói acabou.  O último filme tinha sido de 2007.  E, convenhamos, Sam Raimi fez um excelente trabalho.  No terceiro longa, a coisa desandou.  Mas a culpa principal foi da Sony Pictures que queria empurrar o Venom a todo custo.  E Raimi já tinha declarado seu desafeto com o personagem.

Enfim!  A comparação, então, é inevitável.  O diretor anterior conseguiu capturar a essência de Peter Parker.  Um cara C.D.F. que é alvo constante de insultos na escola, sem sorte com as mulheres e um liso de carteirinha!

Agora, Andrew Garfield personifica um Parker mais confiante em si, descolado (mas nem tanto), que anda de skate e tenta salvar os estudiosos vítimas de bullyng por parte de Flash Thompson.  Nada dos óculos gigantes de lentes grossas.  Peter agora usa lentes de contato e gelzinho no cabelo para ficar com o visual mais "moderninho".

A descaracterização é tão destoante que custa um pouco a engolir que aquele é o nosso Peter Parker.  Não só o azarado visualizado por Raimi, mas também o grande C.D.F. dos quadrinhos que inspiraram (ou deveria inspirar, ao menos) os filmes!


Contudo, o diretor Marc Webb consegue tocar em alguns pontos esquecidos por Sam na trilogia original.  E esses eram a grande promessa do reboot.

O lado gênio de Peter é melhor trabalhado.  Ele consegue resolver equações de química pra lá de complicadas e fazer algumas engenhocas como a trava automática da porta do quarto.  E isso acaba refletindo na sua personalidade tornando-o um "anti-social" no melhor estilo Mark Zuckerberg ou Bill Gates.  Mas sem a ganância de ambos.  Afinal, com grandes poderes vem grandes responsabilidades!

O passado sobre os pais de Parker era uma das promessas que acabou se tornando vazia.  Visando já outras continuações, a trama se mantém aberta não só sobre o paradeiro do sr. e sra. Parker.  A perseguição ao assassino do tio Ben (Martin Sheen) é esquecida para ser explorada mais à frente.

Também é resgatado dos quadrinhos o arco de histórias envolvendo a primeira namorada do futuro herói, Gwen StacyEmma Stone dá a graça, simpatia, beleza e personalidade forte da personagem.  Ela não fica esperando o Amigão da Vizinhança ir salvá-la, mas tenta dar um jeito de ajudar a situação.  Exatamente como nos quadrinhos.


Já a transformação do dr. Curt Connors no vilão Lagarto era algo que os fãs queriam desde que o personagem apareceu em "Homem-Aranha 2".  Rhys Ifans se esforça, mas a semelhança dele com o Clodovil faz sorrir cada vez que aparece em cena.

A família de Connors nem dá as caras no longa.  Nas HQs, eram a esposa e os filhos que davam motivação para o cientista deixar de ser dominado pela fera em que se transformava.  Falando na besta, o Lagarto vira um grande falastrão inteligente no lugar de um animal selvagem.  Dá vontade de mandar o Deadpool cuidar do cara...

Mas e o Aranha?  Bem, as piadas estão bem canastronas.  Estilo HA!  Algumas são forçadas como a que ele se ajoelha para o ladrão de carros.  Já as poses estão bem parecidas com as que estamos acostumados a ver no material original.  Ou seja, o herói foi mantido, mas o homem que veste a roupa, modificado.

O roteiro tenta interligar a origem do Homem-Aranha com quase todos os personagens do universo do herói.  Os pais de Peter, o Lagarto e possivelmente o Duende Verde são todos derivados da mesma equação.  É uma coincidência MUUUUUUUUUUUUUUUUITO grande, não acha?



O ponto forte do filme é a construção da relação Peter Parker/Tio Ben e Peter Parker/Gwen Stacy.  Essa última principalmente.  Webb já tinha demonstrado seu dote em relacionamentos amorosos complicados em "500 Dias com Ela" e repete a dose com sucesso.  Porém, em um longa inoportuno...

As brincadeiras entre casais, a confiança mútua que vai se desenvolvendo pouco a pouco.  Tudo isso envolve o público principalmente quem curte comédias românticas.  Sim!  "O Espetacular Homem-Aranha" é o tipo de filme de super-herói que uma namorada não nerd vai gostar.  E até chorar em algumas cenas.  Vai por mim.

Enquanto as patroas viajam no amor de Peter e Stacy, a cuecada fica com aquela cara de bunda.  Pensando: onde estão os personagens que cresceram comigo? Tirando a nerdice um pouco (bem pouco) de lado, que raios de roteiro é esse cheio de pontas abertas?  Esse filme era realmente necessário?  Que trilha sonora infernal (e entupida de clichês de filme de terror) está tocando? 

Desta vez, serão os homens que vão torcer pro filme acabar logo...

Nota:

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