Imagine um filme com a seguinte cena: um homem vem correndo, pula e bate a cabeça em um tijolo suspenso no ar. De dentro do objeto sai um cogumelo que o tal cara come e aumenta o seu tamanho. Os gamers já sabem que a cena é corriqueira em qualquer jogo do Super Mario, porém ficaria bem estranha em um filme. Adaptar games para as telonas é uma tarefa bem árdua sobretudo o fato de tentar incorporar pequenos detalhes que tornam os joguinhos eletrônicos tão divertidos. Mas um longa conseguiu tal feito! E olha que ele não é baseado em um game...

Scott Pilgrim Contra o Mundo” é mais uma adaptação de quadrinhos para os cinemas. Em um cenário Hollywoodiano infestado por esses produtos, o longa de Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto) consegue traduzir de forma brilhante os elementos de games que permeiam o material original criado por Bryan Lee O’Malley.

De cara, o filme começa com a logo e a música da Universal em 16bits, ou seja, como um jogo de Super Nintendo ou Mega Drive. Sensacional! Daí, vamos para a história que mostra a saga de Scott Pilgrim (Michael Cera), um jovem baixista da banda de garagem, que se apaixona por Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead).

Porém, ficar com a garota literalmente dos seus sonhos não será moleza. Pilgrim terá que derrotar sete ex-namorados malvados da moça, contar para a sua atual namorada que está afim de outra e vencer um concurso de bandas.

Cada luta contra um dos ex é um deleite visual! Ao iniciar o combate, temos a clássica tela de “VS” constante em 99,99% dos games de lutas, passamos pelos golpes especiais e culminando em um grande “K.O.” quando o oponente é vencido. Mas a cereja do bolo é que, após ser eliminado, os ex-namorados de Ramona viram moedas! Sim, igual aquele adventure que você não cansa de jogar!!

Mas não apenas os games de luta e adventures foram homenageados na obra. O duelo contra os gêmeos, por exemplo, lembra muito um encontro de Guitar Hero com Dj Hero. Fora que durante o filme vemos outras referências ao mundo dos jogos eletrônicos como a “Barra de Xixi” esvazeando quando Pilgrim vai banheiro ou o ícone de “Life” que dá ao personagem mais uma vida. Ah! E vale lembrar que o nome da banda de Pilgrim, Sex Bob-omb, é uma homenagem a um dos inimigos do Super Mario.

Além de parecer um enorme videogame em live action, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” faz muitas referências ao mundo Pop. Impossível não reconhecer os closes estilo mangá ou as anomatopéias das comics norte-americanas. Entretanto, outro fator salta aos olhos, ou melhor, aos ouvidos: a trilha sonora.

O rock indie com misturas de punk é o que comanda as músicas escritas pelos próprios personagens. Melhor dizendo, as canções fazem parte do universo deles e não há músicas importadas de artistas conhecidos. Melhor dizendo ainda, há uma música do game “The Legend of Zelda” que toca na cena do sonho de Scott. O resto são “sucessos” do Sex Bob-Omb e Crash for the Boys, ambas as bandas criadas para os quadrinhos e consequentemente para o filme.

Apesar de ser um filme visualmente riquíssimo, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” peca um pouco pelo exagero nerd. A galera que gosta de games, quadrinhos e rock (nessa ordem) irá entender muitas (ou todas) as referências que o longa faz. Quem está fora desse mundo, certamente vai estranhar um cara se desmanchando em moedas ou tirando uma espada do peito.

Talvez esse tenha sido um dos motivos da baixa arrecadação da obra nos Estados Unidos. Além, claro, do fato de ter um protagonista canadense e não o tradicional herói estadunidense.

Como adaptação do material original, o roteiro não suportou as tantas outras referências Pop, principalmente aos quadrinhos, que acabaram ficando de fora. Porém, nada disso arranca a coragem do diretor Edgar Wright e a fabulosa direção de arte.

O excelente potencial de entretenimento, o sólido universo criado por O’Malley, o cuidado com a trilha sonora e o espaço dado à todos os personagens secundários dará à Scott Pilgrim a merecida fama mundial. Certamente, ele já virou ícone nerd para muitos podendo ultrapassar até um certo encanador bigodudo...

____________________________________________________________________________

Título Original: Scott Pilgrim vs The World
Direção:  Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans
Duração: 112 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 05/11/2010
Nota:

1 Response so far.

  1. Olha Léo, só tu mesmo pra me fazer comentar nesse blogspot. haha

    Acho que o objetivo do diretor foi alcançado. Ele fez um filme pra nerds e vai conseguir agradar todos eles. Agora, levando um pouco mais a sério e vendo Scott Pilgrim como obra cinematográfica, senti falta de conteúdo. O filme pouco tem a dizer e usa o visual para esconder isso. É uma overdose de referências aos games e HQs, e é isso que vai acabar agradando mais alguns do que a outros, mas quando partimos para analisar o roteiro, vemos um trabalho simples e pobre. Como eu disse, não era o objetivo do Wright e no que ele queria acertar, ele acertou.

    Perfil

    Minha foto
    Jornalista especialista em cultura pop principalmente cinema.

    Frequentadores