Interessante observar o fascínio que os vilões exercem sobre o público. Desde a década de 1970, o obscuro Darth Vader é uma das figuras icônicas do Cinema e conquistou seu posto de “bad guy” logo na sua primeira respiração pesada em “Star Wars – Uma Nova Esperança”. Nos anos 90, o comediante Mike Myers nos entrega o atrapalhado Dr. Evil e o vilão acaba roubando a cena do herói Austin Powers. O mesmo aconteceu com o falecido ator Heath Ledger com o seu Coringa de “Cavaleiro das Trevas”, papel que lhe rendeu o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante.

Com a vilania fazendo bonito nas telonas não ia demorar muito para que um dos praticantes do Lado Negro virasse protagonista de um filme só seu. Assim, a Universal Pictures lança a animação “Meu Malvado Favorito”.

Nela seguimos a vida de Gru (Steve Carrell), um super-vilão de araque que já chamou a atenção algumas vezes e ganhou as manchetes de jornais. As atitudes dele condizem mais com uma criança mal criada ou um cara ultra anti-social (assim como o Dr. Evil) do que propriamente um cara ruim. Entre as malvadezas de Gru estão estourar o balão de um garotinho ou furar a fila do café usando raio congelante.

Ele vê seu pseudo-reinado do mal ameaçado quando surge Vetor (Jason Segel), um ladrão mimado que rouba uma das pirâmides do Egito e troca por uma réplica inflável. A jogada chama a atenção da mídia elevando o recém-chegado inimigo à status de mega-vilão. Para não ficar por baixo, Gru decide colocar em prática um plano audacioso: roubar a lua. Mas para isso, ele terá que contar com a ajuda de três garotinhas órfãs que poderão ensinar uma valiosa lição ao nosso protagonista.

Assim como testemunhamos Vader se tornar mal na nova trilogia de “Star Wars”, no longa acompanhamos o processo inverso de Gru. A animação traz uma bela mensagem sobre o amor paterno e mostra a linha tênue entre o bem e o mal, mesmo que de forma sutil.

As garotinhas que são adotadas pelo vilão representam a chegada de uma mudança na vida do personagem. O interessante é que elas vão ganhando importância dentro da trama aos poucos como se lentamente a representação do afeto fosse tomando conta de Gru.

Porém, a trama escorrega ao não estabelecer bem como funciona um mundo habitado por super-vilões. Apenas sabemos que eles recorrem a um Banco de Vilões para conseguirem financiamento para seus planos. É como se as autoridades e as pessoas nem ligassem para o que eles fazem. Só os jornais e a TV é que se interessam no assunto.

Outra falha que estraga um pouco a diversão são as piadas velhas a maioria delas protagonizadas pelos estranhos e amarelados Minions. Prepare-se para ir da batida piada com pum até a típica dancinha para animar a platéia no final. Os tais seres tentam funcionar como as lesmas de “Por Água Abaixo”, mas o máximo que conseguem são alguns risos tímidos. Em alguns momentos, a sensação é que estamos assistindo a uma reprise de “Zorra Total”.

Falando no programa, vale apontar, na versão dublada do longa, a presença de dois comediantes que são figurinhas tarimbadas na atração global: Leandro Hassum e Marcius Melhem. A dupla que também está no dominical “Os Caras de Pau” parece que faz dublagem há anos. Estão soltos e fazem a sincronia labial muito bem. Hassum inclusive adotou em Gru o sotaque estrangeiro (meio alemão, meio russo) incorporado por Steve Carrell, o dublador da versão original em inglês. Enquanto isso, Melhem empresta sua voz ao oponente Vetor e ousa até fazer algumas modulações.

Além da dublagem, também não tem como passar batido em outra observação sobre a adaptação do longa para a nossa língua. O título finalmente foi traduzido de forma inteligente e sintetizou o filme melhor que o original (“Despicable Me” ou “Desprezível Eu” numa tradução literal).

“Meu Malvado Favorito” não será um clássico da animação, mas os pequenos detalhes da película e belo trabalho de dublagem merecem um conferida. Alem do mais, sempre é bom aprendermos ou lembrarmos algumas lições importantes que às vezes nos escapam no dia-a-dia. O engraçado é que, neste caso, um vilão irá nos ensinar isso. Prova mais que suficiente que o nosso fascínio por estes “malvados” está longe de acabar.

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Título Original: Despicable Me
Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud
Elenco: Em inglês (Steve Carrell, Jason Segel e Julie Andrews). Versão Brasileira (Leandro Hassum e Marcius Melhem).
Duração: 95 min
Ano de Produção: 2010
Estréia: 06/08/2010
Nota:

8 Responses so far.

  1. Ainda não vi o filme, mas se eu não levar a minha irmã junto, ela vai me matar, farei isso no decorrer dessa semana.

  2. me ajudou em um trabalho do colegio... #assisti o filme muito legal...
    vale a pena conferir

  3. Assistir e adorei, esse filme conta alem das maldades Gru rsrsrsr, conta a real verdade da maioria das crianças que sao adotadas nesse país, os pais adotivos depois de um mes dois percebem que nao vao dar conta e devolvem as crianças e isso eles nao percebem que causa um trauma muito grande nessas crianças. No filme temos um final feliz e na vida real nem sempre.

    Marta Macedo - Serviço Social

  4. Adorei a visão da Marta Macedo que prestas serviços sociais!

    De fato, infelizmente a realidade não é tão colorida quanto nas animações...

  5. mto legal!!! me ajudou em um trabalho de escola =)

  6. esse filme é uma lição de vida!!
    junior batista

  7. é uma uma lição sim

  8. eu acisti o filme e adorei cara fiquei chocaada!!! bjs dayaa!!!!!

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