sexta-feira, 4 de junho de 2010 às 15:27 Postado por Leonardo Peixe 1 Comment


Os games vêm se provando cada vez mais longe da linguagem dos cinemas. As adaptações de jogos de sucesso sempre afundam nas bilheterias por não conseguirem traduzir toda a diversão e charme da obra original.

No meio de tanto filme baseado em game ruim, tem alguns que os jogadores preferiram esquecer. Após assistir ao péssimo “Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo”, resolvi me incubir da difícil tarefa de relembrar tais longas. O objetivo principal não é o auto-martírio, mas sim dar boas gargalhadas com essas bombas da sétima arte.

E vamos começar com uma chinesinha deliciosa e amada nos jogos, mas odiada no cinema.


05. STREET FIGHTER: THE LEGEND OF CHUN-LI (2009)

Faça de tudo, mas não tente enganar um gamer cinéfilo. Todo o projeto desta segunda tentativa de adaptar o ultra famoso jogo “Street Fighter” para os cinemas foi uma enganação para o público.

Antes do filme estrear, o roteirista Justin Marks vinha sendo vendido como a grande revelação de Hollywood. Corria o boato de que a história de Chun-Li foi escrita de forma apaixonante e bastante fiel à origem da personagem.

Essa era a chance da Capcom, produtora do game, redimir-se do pífio “Street Fighter: A Última Batalha” que trazia Van Damme como Guile e a cantora Kylie Minogue como Cammy. Os fãs ficaram animados até a escolha do diretor.

Andrzej Bartkowiak foi selecionado para conduzir a película. O que deixou muita gente com o pé atrás foi o fato do cineasta já ter aleijado outro game nas telonas, “Doom”. Mas a paixão por Street Fighter era maior e a esperança residia no roteiro e no futuro elenco a ser escalado.

Mas aí a enganação começou a mostrar sua cara. Chamaram a Lana Lang do seriado “Smallville” para viver a chinesa Chun-Li. A insossa Kristin Kreuk não tem talento de atriz, carisma, pernas grossas e nem estilo oriental. Sendo os dois últimos itens quesitos obrigatórios para viver a personagem.

O cúmulo da chateação foi a contratação do integrante da banda Black Eyed Peas como ator. Taboo foi anunciado como o vilão Vega, que nos games é conhecido por ser um narcisista com o rosto bonito. Ah, vai! A menina que disser que o Taboo é bonito tem ir rapidinho consultar um oftalmologista. E vai logo que as Óticas Diniz tá com promoção de óculos!

The Legend of Chun-Li” estreou. Ficou claro que o roteiro era uma sombra da mitologia da personagem e que o talento anunciado de Marks era conversa fiada. O escritor acabou sendo demitido de um punhado de outros projetos que estava envolvido como o filme do herói Arqueiro Verde chamado “Supermax” e do remake de “20 mil Léguas Submarinas”.

A direção de Bartkowiak provou-se novamente ser fraca. Até o ápice da cena do Hadouken fez o fã mais ardoroso de Street Fighter bocejar. Já o elenco demonstrou toda a sua falta de talento e o filme afundou nas bilheterias mundiais. A pseudo-adaptação custou 50 milhões de dólares e rendeu apenas 12 milhões.


04. DOA: VIVO OU MORTO (2006)

O game de luta “DOA: Dead or Alive” nunca foi muito querido entre os jogadores. As mulheres seminuas e sensuais eram o único atrativo. Então responda: pra quê fazer um filme de um jogo não tão popular?

A falta de criatividade e a ganância fizeram alguns executivos gastarem milhões nessa coisa. O pior de tudo é que produtores dos EUA, Alemanha e Inglaterra se juntaram para parir esse troço horrendo.

A falta de direção da adaptação sobrou para Corey Yuen, co-diretor do mentiroso “Carga Explosiva”. Convenhamos que um cara que divide a direção com Louis Leterrier (Fúria de Titãs) não merece o mínimo de respeito.

Como tudo mundo sabia que o filme seria uma bela porcaria, restava apenas rezar que o recurso apelativo do game (as mulheres seminuas) fosse usado à exaustão. Pffffff... Nadinha! O elenco de beldades desconhecidas não dá nem sequer um gostinho para os gamers. Sem dizer que a sensualidade do filme é zero.

Quando se tira o único elemento que atraia os viciados em videogame, o resultado é uma derrocada financeira sem tamanhos. “DOA: Vivo ou Morto” gastou 21 milhões de dólares dos investidores bocós e arrecadou míseros 7,5 milhões. No Brasil, ele foi lançado direto em DVD.


03. DOUBLE DRAGON (1994)

Double Dragon” foi o primeiro game do estilo beat’-em-up a juntar dois jogadores. Desenvolvido pela Technos Japan Corporation, o game lançado para arcade e depois para os consoles NES, Master System e Game Boy fez um sucesso tremendo.

A história mostrava os irmãos Billy e Jimmy Lee em uma Nova York pós-apocalíptica dominada por gangues. Os heróis tinham que salvar a namoradinha de Lee que foi seqüestrada pelos Black Warriors.

De olho no sucesso do game, a sétima arte (ou alguns caras que diziam representá-la) fizeram a versão para cinema. Encabeçando o elenco estava uma pessoa cujo nome virou sinônimo de bomba chiando: Mark Dacascos. Isso mesmo! O lutador que acabou com a franquia “O Corvo” encarnou o irmão Billy na adaptação.

Como vilão, o eterno T-1000 de “O Exterminador do Futuro 2” Robert Patrick está mais canastrão do que nunca. E o pior, o seu personagem nem aparecia no jogo original! Quem rouba a cena é o capanga Abobo (Nils Allen Stewart), um dos bandidos mais adorados pelos fãs do game.

O roteiro estuprava a história em que foi inspirada e mostra os irmãos Lee em busca de um antigo amuleto chinês. A mistura de ninjas com monges da China em nada lembra a briga de gangues que o divertido jogo incorporava.

A frase que vendia o filme já nos dava a idéia do que estava por vir: Não é mais apenas um jogo. “Double Dragon” obteve renda de 3,6 milhões e custou 2,3 milhões. Uma arrecadação ruim e um orçamento pífio para um longa que queria ser blockbuster e tudo o que conseguiu foi ser um filme Z.



02.HOUSE OF THE DEAD (2003)

Você já ouviu falar de Uwe Boll? Ele é um diretor alemão louco por games responsável pelas piores adaptações de games já feitas na história. O cara conseguiu estragar “Alone In The Dark”, “BloodRayne”, “Dungeon Siege” e “Far Cry”. E olha que ele fez até sequências para algumas dessas tragédias.

Somente os filmes baseados em games feitos pelo Sr. Boll completaria essa lista dos “Filmes Esquecíveis Baseados em Games” do Nerd Etílico. Porém, como o objetivo era variar, acabou sendo eleito o pior entre os piores do “cineasta”.

O game “House of the Dead” coloca o jogador na divertida tarefa de matar zumbis e alguns monstros em uma mansão no meio do nada. O shooter de terror em primeira pessoa lançado pela Sega obteve algumas modificações trágicas na sua adaptação homônima.

Boll transformou o enredo medonho do material original em um pornô ultrasoft que, de vez em quando, mostra zumbis. Com uma maquiagem barata, é impossível não conseguir conter a crise de risos ao ver as criaturas correndo entre os matos.

O elenco de ilustres desconhecidos atuam como adolescentes descerebrados que vão para uma rave em uma ilha tomada pelos mortos-vivos mal-feitos. A burrice das atitudes dos personagens certamente vai eclipsar os risos causados pelos zumbis e fará você terminar o filme antes da hora.

“House of the Dead” teve o risível orçamento de 12 mil dólares e ganhou 13,8 mil. Aqui no Brasil, essa aberração foi lançada direto em DVD.


01. SUPER MARIO BROS. (1993)

A década de 1990 viveu a “Super Mario Mania”. O game era um dos mais vendidos e jogados no mundo inteiro. Sequências do jogo, desenhos animados, seriado live-action e uma porção de itens relacionados ao hit invadiam as mídias. Hollywood, of couse, não ficaria de fora dessa mina de ouro.

Em "Super Mario Bros.", os cabeça ocas engravatados decidiram não respeitar alguns elementos básicos do jogo: cogumelos e tartarugas. No lugar, usaram dinossauros... Sim, o arqui-inimigo Rei Koopa (vivido pelo falecido Denis Hopper) era um descendente do T-Rex que só mostra sua forma humanóide/jurássica nos minutos finais do filme. Ah! E seus capangas tinham formas de dinossauros. Vai entender...

Bob Hoskins (Uma Cilada Para Roger Rabbit) deu vida ao Super Mário e John Leguizamo (Gamer) ao irmão Luigi. Hoskins foi uma escolha razoável para o papel, porém a trama de universos paralelos e um Mário que vive no Brooklyn não colou. Já Leguizamo não tem cara mesmo de italiano e tenta fazer um Luigi piadista, que também não deu certo.

O pior erro da adaptação foi aproximar Daisy (Samantha Mathis) de Luigi. Talvez, pelo preconceito de Hoskins ser velho demais para ficar com a garota. Era só escalar alguém mais novo para fazer o Mário. Alem disso, Daisy não é a princesa do Reino dos Cogumelos e sim uma estudante de arqueologia.

Mais tarde, é revelado que a moça é a princesa do Mundo de Koopa. Ou seja, os cogumelos desceram pelo cano assim como a paciência dos fãs que decidiram banir o filme para sempre dos seus pensamentos. Tem gente que nem sabe que existe um filme do Mário Bros.

A vergonha foi tanta que o longa conseguiu roubar apenas 20,9 milhões dos bolsos dos gamers que moram nos Estados Unidos. O valor é baixo se considerarmos que o custo de produção foi de 42 milhões restando um déficit de mais de 50%.

1 Response so far.

  1. games para cinema,nunca irao acertar,esta mais que provado,como conseguiram criar tanta porcaria?porque mudam tanto o roteiro original,a marvel tambem apronta de vez em quando...

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